E há aqueles dias em que apesar da chuva e do frio, apesar da distância dos que amo, apesar de tudo e todos, sou feliz. E não consigo evitar andar de sorriso nos lábios.
Caminhar até à escola ao som de Nina Simone, Nat King Cole, Ella Fitzgerald.
A aula decorrer com boa disposição, os alunos cooperarem, sentir que estão a ter prazer em estar ali, dar por mim e ser hora de escrever o sumário e ainda ter tempo de todos juntos cantarmos os parabéns.
Trabalhar na sala de professores ao som de Deolinda enquanto vou conversando com os colegas. Fazemos piadas, trocamos opiniões, perguntam por mim, eu pergunto por eles e sinto-me em casa.
Um jantar bem-humorado, uma passagem pelo teatro e o finalizar com uma caça ao tesouro pelas ruas de Torres Novas.
Hoje, o sol para mim brilhou intensamente, não por causa de outra pessoa, não por causa de um acontecimento especial, apenas porque hoje fui feliz.
Um dia perfeito. Simples mas perfeito. Venham mais que eu cá os espero.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
"He's just not that into you"
Um dos passatempos predilectos das mulheres é descodificar o comportamento masculino.
Tudo é analisado, as palavras, o tom de voz, os gestos, os olhares, as mensagens, os e-mails... enfim, tentamos perceber o que tudo aquilo significa.
Quando as coisas não correm exactamente como desejávamos há logo uma justificação pronta:
- Se não telefona... Perdeu o telemóvel, roubaram-lhe o telemóvel, é tímido, está a arranjar coragem, está doente, morreu. A regra é que o sujeito que não nos telefona não está assim tão interessado em nós.
- Se não nos beija... É tímido, tem herpes, nunca beijou ninguém, é gay e ainda não sabe, está doente e vai morrer portanto não se quer envolver. A regra é que este indivíduo não está realmente interessado em nós.
- Se queremos marcar um encontro e ele é evasivo na resposta alegando compromissos profissionais e familiares... Tem um emprego MUITO importante, ele é muito importante, ele valoriza muito a família, ele tem uma vida muito stressante, ele é um coitadinho. A regra é que este tipo não está realmente interessado.
Regras há muitas e nós sabemo-las todas. Quando alguém nos fala do seu caso rapidamente identificamos a regra correspondente.
O nosso problema não é desconhecimento, o problema é querermos sempre acreditar que seremos a excepção que confirma a regra.
Tudo é analisado, as palavras, o tom de voz, os gestos, os olhares, as mensagens, os e-mails... enfim, tentamos perceber o que tudo aquilo significa.
Quando as coisas não correm exactamente como desejávamos há logo uma justificação pronta:
- Se não telefona... Perdeu o telemóvel, roubaram-lhe o telemóvel, é tímido, está a arranjar coragem, está doente, morreu. A regra é que o sujeito que não nos telefona não está assim tão interessado em nós.
- Se não nos beija... É tímido, tem herpes, nunca beijou ninguém, é gay e ainda não sabe, está doente e vai morrer portanto não se quer envolver. A regra é que este indivíduo não está realmente interessado em nós.
- Se queremos marcar um encontro e ele é evasivo na resposta alegando compromissos profissionais e familiares... Tem um emprego MUITO importante, ele é muito importante, ele valoriza muito a família, ele tem uma vida muito stressante, ele é um coitadinho. A regra é que este tipo não está realmente interessado.
Regras há muitas e nós sabemo-las todas. Quando alguém nos fala do seu caso rapidamente identificamos a regra correspondente.
O nosso problema não é desconhecimento, o problema é querermos sempre acreditar que seremos a excepção que confirma a regra.
sábado, 11 de abril de 2009
Quem sou eu?
Desligo a água, pego na toalha e enrolo-a à volta do meu corpo. Passo a toalha pelo espelho para poder ver o meu reflexo.
Como as minhas feições mudaram... como o meu corpo se transformou... Não reparei, não sei quando foi, mas eu mudei ou cresci ou amadureci. Não sei o que foi. Mas estou diferente.
Olho para o meu rosto e não o reconheço. Não me identifico, pareço outra pessoa.
Ainda mais assustador é sentir que não me conheço. Sei que mudei, cresci... Estes últimos dois anos foram intensos, repletos de experiências novas, de vivências... Em que é que me tornaram, qual é o resultado?
Quem sou eu?
Como as minhas feições mudaram... como o meu corpo se transformou... Não reparei, não sei quando foi, mas eu mudei ou cresci ou amadureci. Não sei o que foi. Mas estou diferente.
Olho para o meu rosto e não o reconheço. Não me identifico, pareço outra pessoa.
Ainda mais assustador é sentir que não me conheço. Sei que mudei, cresci... Estes últimos dois anos foram intensos, repletos de experiências novas, de vivências... Em que é que me tornaram, qual é o resultado?
Quem sou eu?
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Ah! Então está tudo explicado...
"This phenomenon, known as the “Quarterlife Crisis,” is as ubiquitous as it is intangible. Unrelenting indecision, isolation, confusion and anxiety about working, relationships and direction is reported by people in their mid-twenties to early thirties who are usually urban, middle class and well-educated; those who should be able to capitalize on their youth, unparalleled freedom and free-for-all individuation. They can’t make any decisions, bjavascript:void(0)ecause they don’t know what they want, and they don’t know what they want because they don’t know who they are, and they don’t know who they are because they’re allowed to be anyone they want."
Retirado daqui por aqui
Retirado daqui por aqui
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Senhor Deus,
Sei que a nossa relação não é das melhores. Entre as vezes em que duvido da sua existência e outras em que o chamo das profundezas do meu desespero vamos tendo altos e baixos.
Também sei que deve estar completamente embrulhado nessas confusões mundo a fora, são as criancinhas a morrer, as mulheres a serem violadas, os homens a serem assassinados, são os israelitas, os palestinianos, a eterna África, o Obama que nunca mais chega para salvar este estaminé e muito mais. Eu sei, eu sei, sei que deve ter mais fazer do que ouvir esta rapariga que comparando com o resto do Mundo até tem uma vida jeitosa e que mesmo assim quer mais.
Aí está, quero mais. Por culpa de quem? Sua, pois claro! O ser humano nunca está satisfeito, anseia e deseja sempre mais. Quem é que se lembrou de nos fazer assim? Você pois então!
Mas estes últimos tempos foram mesmo para esquecer, não foram Senhor Deus? Eu sei, eu sei que fui muito feliz num intervalo aí pelo meio. Mas porque é que me fez isso? Se me tivesse deixado afundar-me logo ali no início da derrocada tinha ficado o assunto logo arrumado. Mas não…quis mostrar-me como era possível voltar a confiar, a acreditar, como era possível voltar a gostar de alguém. Sentir-me assim… feliz e completa. Para depois destruir tudo? Para depois descobrir que tudo não passou de um engano, de palavras vãs? Foi para eu me sentir muito estúpida? Ou para me vacinar contra as conversas de galãs? Para que é que foi isto?
Oh Senhor Deus, que raio de crueldade a sua… Mas também o que seria de esperar de um Deus que deixa as criancinhas a morrer de fome?
Diga-me lá o que se faz com as recordações, com as interrogações e com as incredulidades? Já que tem tanta experiência, já que passaram por si tanto Romeu e Julieta, tanta Inês de Castro e muitos mais…Diga-me o que se faz a todos estes sentimentos que me inundam? Porque o Senhor Deus programa aí no seu mega computador o que fazer das nossas vidas mas depois não é o Senhor que tem que passar por estas coisas. Aposto que estava aí na sua nuvem (sim, porque sempre que o imagino vejo-o numa grande nuvem em forma de cadeira) e pensou “hummmm esta rapariga está mesmo a precisar de levar um pontapé no traseiro para crescer um bocadinho”. Sim, eu até sou astuta e já percebi que me está a obrigar a passar por tudo isto para eu crescer, para eu perceber melhor os outros para ser mais tolerante e sábia. Se calhar é merecido, pus-me mesmo a jeito não foi Senhor Deus?
Agora o que eu queria mesmo saber é se vou voltar a encontrar alguém para mim. Não é um alguém qualquer. É O alguém para mim. Está difícil Senhor Deus? É muita gente a perguntar o mesmo?
Não sei se já reparou, mas eu olho à minha volta e só vejo travessias no deserto. É uma grande lição que o Senhor Deus está a dar a muita gente ou é pura crueldade?
Pressinto que a minha está prestes a iniciar-se e não vai ser bonita. Por via das dúvidas peço-lhe antecipadamente desculpa por todas as vezes em que o amaldiçoar, o desacreditar, em que duvidar de si.
Ah, e olhe que eu já aprendi, já cresci, já sou mais tolerante e tudo e tudo e tudo. Pode parar com o sofrimento. É que cansa. Viver assim cansa muito.
Agradecendo a sua atenção, com os melhores cumprimentos, a eternamente insatisfeita procurando sempre mais e melhor,
R.
Também sei que deve estar completamente embrulhado nessas confusões mundo a fora, são as criancinhas a morrer, as mulheres a serem violadas, os homens a serem assassinados, são os israelitas, os palestinianos, a eterna África, o Obama que nunca mais chega para salvar este estaminé e muito mais. Eu sei, eu sei, sei que deve ter mais fazer do que ouvir esta rapariga que comparando com o resto do Mundo até tem uma vida jeitosa e que mesmo assim quer mais.
Aí está, quero mais. Por culpa de quem? Sua, pois claro! O ser humano nunca está satisfeito, anseia e deseja sempre mais. Quem é que se lembrou de nos fazer assim? Você pois então!
Mas estes últimos tempos foram mesmo para esquecer, não foram Senhor Deus? Eu sei, eu sei que fui muito feliz num intervalo aí pelo meio. Mas porque é que me fez isso? Se me tivesse deixado afundar-me logo ali no início da derrocada tinha ficado o assunto logo arrumado. Mas não…quis mostrar-me como era possível voltar a confiar, a acreditar, como era possível voltar a gostar de alguém. Sentir-me assim… feliz e completa. Para depois destruir tudo? Para depois descobrir que tudo não passou de um engano, de palavras vãs? Foi para eu me sentir muito estúpida? Ou para me vacinar contra as conversas de galãs? Para que é que foi isto?
Oh Senhor Deus, que raio de crueldade a sua… Mas também o que seria de esperar de um Deus que deixa as criancinhas a morrer de fome?
Diga-me lá o que se faz com as recordações, com as interrogações e com as incredulidades? Já que tem tanta experiência, já que passaram por si tanto Romeu e Julieta, tanta Inês de Castro e muitos mais…Diga-me o que se faz a todos estes sentimentos que me inundam? Porque o Senhor Deus programa aí no seu mega computador o que fazer das nossas vidas mas depois não é o Senhor que tem que passar por estas coisas. Aposto que estava aí na sua nuvem (sim, porque sempre que o imagino vejo-o numa grande nuvem em forma de cadeira) e pensou “hummmm esta rapariga está mesmo a precisar de levar um pontapé no traseiro para crescer um bocadinho”. Sim, eu até sou astuta e já percebi que me está a obrigar a passar por tudo isto para eu crescer, para eu perceber melhor os outros para ser mais tolerante e sábia. Se calhar é merecido, pus-me mesmo a jeito não foi Senhor Deus?
Agora o que eu queria mesmo saber é se vou voltar a encontrar alguém para mim. Não é um alguém qualquer. É O alguém para mim. Está difícil Senhor Deus? É muita gente a perguntar o mesmo?
Não sei se já reparou, mas eu olho à minha volta e só vejo travessias no deserto. É uma grande lição que o Senhor Deus está a dar a muita gente ou é pura crueldade?
Pressinto que a minha está prestes a iniciar-se e não vai ser bonita. Por via das dúvidas peço-lhe antecipadamente desculpa por todas as vezes em que o amaldiçoar, o desacreditar, em que duvidar de si.
Ah, e olhe que eu já aprendi, já cresci, já sou mais tolerante e tudo e tudo e tudo. Pode parar com o sofrimento. É que cansa. Viver assim cansa muito.
Agradecendo a sua atenção, com os melhores cumprimentos, a eternamente insatisfeita procurando sempre mais e melhor,
R.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Enquanto...
"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes,
é necessário ser um."
Fernando Pessoa
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes,
é necessário ser um."
Fernando Pessoa
Lógica
Se a minha vida é um jardim,
se pensar na quantidade de m**** que já fiz na minha vida,
se pensar na quantidade de m**** que já fizeram na minha vida,
concluo que definitivamente tenho que utilizar essa m**** para fertilizar o meu jardim.
E um dia vão nascer flores deslumbrantes provenientes de toda a m**** que agora vejo à minha volta.
Só pode!
se pensar na quantidade de m**** que já fiz na minha vida,
se pensar na quantidade de m**** que já fizeram na minha vida,
concluo que definitivamente tenho que utilizar essa m**** para fertilizar o meu jardim.
E um dia vão nascer flores deslumbrantes provenientes de toda a m**** que agora vejo à minha volta.
Só pode!
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